segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Léa T.

Leandro, que bom revê-lo;
mostrando-te ainda assim
esplendidamente inteiro
arrebatadoramente nu.
Por anos foste somente
a lembrança de amigo
de infância, criança
amiga de jogos, de sala.
Pois que hoje apareces,
teus olhos, os mesmos,
não mais criança,
mulher.

Mudamos todos,
mas tu!
Transmutaste teu corpo
para ser fiel ao espírito
arrancando de si as cadeias
do Caos, desfazendo
os enganos congênitos,
alçando, sublime,
contra Deus,
tuas mãos finíssimas.

O gesso das imagens
segue indiferente
ao riso do vulgo.
Não há que estrelas
na esfera infinita,
nenhum julgamento
nem crime,
ou salvação;
que estamos sozinhos
lançados à vertigem
de seguir girando,
não para sempre
(que nada é eterno)
mas por longo tempo,
em redor de um Astro.

Não te resignaste:
lúcido Titã,
fizeste de ti o que de ti
não quis fazer o Fado.

Um comentário:

  1. (outra versão para o mesmo poema, para comparar depois; não sei se prefiro alguma; decerto, prefiro, só não sei - guardo)


    Leandro,
    que bom revê-lo; mostrando-te assim
    esplendidamente inteiro,
    assim, francamente nu.
    Por anos foste somente a lembrança de amigo
    de infância, companheiro de jogos, de sala.
    Pois que hoje apareces, teus olhos, os mesmos,
    não mais criança,
    mulher.

    Mudamos todos, mas tu!
    Transmutaste teu corpo
    para ser fiel ao espírito,
    arrancando de si as cadeias
    do Caos, desfazendo os enganos
    congênitos, alçando, sublime,
    contra Deus, tuas mãos finíssimas.

    Para as imagens de gesso
    não interessam os risos
    do vulgo. Não há que estrelas
    na esfera infinita:
    nenhum julgamento,
    nem crime, nem remissão;
    que estamos lançados sozinhos
    à vertigem
    de seguir girando,
    não para sempre
    (pois nada é eterno),
    mas por longo tempo,
    em redor de um Astro.

    Conheces tua incompletude
    E sabes bem que será para sempre
    teu ventre estéril:
    e mesmo assim, sem ilusões,
    pagas o preço de querer tornar-te o sonho
    que contigo carregaste sempre.
    Não te resignaste ao vácuo: lúcido Titã,
    fizeste de ti o que de ti não quis fazer o Fado.

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