O céu, tão azul, em mim não desperta nada.
O dia, sereno, embutido de sol,
abarrotado de sol,
recorda-me somente Alcides Celso Villaça que me vira a cara,
ou verões de há dez anos, em que, quase criança,
soube do dia de hoje.
Lâmpadas são muito tristes.
Conheces o silêncio dos mortos?
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Batalha perdida
Desperto, tranquilo e sereno
observo, capitão de mim mesmo
a guerra que perco
contra o resto de tudo o que resta.
O desfecho é um só
embora a rendição possa dar-se
por minha mão, somente.
Há desonra na perda, mas o que é a perda
senão o final mais certo
de uma vida de perdas caladas?
É o fim, com certeza,
e estou tão cansado.
Cansado de tudo,
de mim e dos outros.
Dói dar bom dia
e mais ainda receber o bom dia
formal, antipático, o sorriso de gelo.
Será que não têm vergonha,
não aprenderam das mães como é feio mentir?
As mães são cristãs,
os pais militares,
os filhos hipócritas,
o mundo a cloaca mágica
de falsos sorrisos. Eu, derrotado,
por fim talvez vencedor, que ironia,
ao tomar em mãos o meu próprio destino
decidindo, enfim, o fim de mim entre todos.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
O modernismo equivocou-se
No final dos anos 60 que construíram aquele trambolho de concreto sobre a Praça Roosevelt. A praça já havia, ou algo como uma praça. O espaço atrás da igreja da Consolação revezava-se entre estacionamento e feira livre, era de paralelepípedos.
Daí chegaram os cretinos da FAU-USP mostrando a que vieram: escreveram um artigo cheio de sofismas bonitos e publicaram em revista. Um "edifício praça e mercado" respondendo à "vocação do espaço" (a ser estacionamento).
Tacaram mais concreto sobre a cidade num período em que já se iniciava a discussão sobre microclima, os acadêmicos da arquitetura, os paisagistas do cimento armado. Pelo o menos combinou com o minhocão.
Na falta de verde, nos anos oitenta, a solução: pintaram a praça de verde!
Finalmente, o chão. Sobre a praça de cimento e ferro, plantarão árvores.
Tomara que volte a ter seu nome antigo: Praça da Consolação. Bem mais bonito.
Viva o teatro, a vida, o bar, a noite!
Daí chegaram os cretinos da FAU-USP mostrando a que vieram: escreveram um artigo cheio de sofismas bonitos e publicaram em revista. Um "edifício praça e mercado" respondendo à "vocação do espaço" (a ser estacionamento).
Tacaram mais concreto sobre a cidade num período em que já se iniciava a discussão sobre microclima, os acadêmicos da arquitetura, os paisagistas do cimento armado. Pelo o menos combinou com o minhocão.
Na falta de verde, nos anos oitenta, a solução: pintaram a praça de verde!
Finalmente, o chão. Sobre a praça de cimento e ferro, plantarão árvores.
Tomara que volte a ter seu nome antigo: Praça da Consolação. Bem mais bonito.
Viva o teatro, a vida, o bar, a noite!
Publicada por
Sergei
em
13:49
Etiquetas:
FAU,
modernismo,
paisagismo,
Praça Roosevelt,
prefeitura,
São Paulo
domingo, 9 de janeiro de 2011
Ano novo
Vida nova.
A vida é a mesma,o mundo também
eu é que quero ser diferente e mais doce.
Desfazer-me do que resta em mim
de inerte cruel resignado e triste,
do que como um grande peso eu levo
cadeado enorme sobre o tornozelo.
Libertar-me dele, de mim.
Felizes os homens que trazem
na alma o amor à vida e no rosto
o calmo sorriso dos que descansam
satisfeitos da sorte que construíram:
estes não terão maus pensamentos e
trarão felicidade a si e aos seus queridos
que verdadeira virtude é o contentar-se
do grão que somos de estrelas desfeitas.
A vida é a mesma,o mundo também
eu é que quero ser diferente e mais doce.
Desfazer-me do que resta em mim
de inerte cruel resignado e triste,
do que como um grande peso eu levo
cadeado enorme sobre o tornozelo.
Libertar-me dele, de mim.
Felizes os homens que trazem
na alma o amor à vida e no rosto
o calmo sorriso dos que descansam
satisfeitos da sorte que construíram:
estes não terão maus pensamentos e
trarão felicidade a si e aos seus queridos
que verdadeira virtude é o contentar-se
do grão que somos de estrelas desfeitas.
Paul Klee: O abraço. 1939.
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