Muda
harpa
de palavras.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Piles of stones
There was a pile of stones
by the river's brim
and only a pile of stones
it was to me.
The stones stood still
one over the other
carefully molded
by the river's waters;
incessantly rolling
down the mountain's side,
their movement frozen,
piled on one another
stopped in time.
There's a pair of boys
by the river's brim
and only a pile of stones
it was to me.
The stones stood still
one over the other
carefully molded
by the river's waters;
incessantly rolling
down the mountain's side,
their movement frozen,
piled on one another
stopped in time.
There's a pair of boys
by the river's brim
and only a pair of boys
they are to me.
They pile the stones
they play, they live,
I hear them laughing from a distance:
they sleep at last
they rest content.
The day is over
and night has come.
There's a pile of stones
by the river's brim.
a Brian Kenny
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Gritos e sussurros
Eu sou da opinião que não se conta histórias por contar, mas há algo que se quer dizer ao narrar alguma coisa de certo modo. Como se narra é tão importante quanto o que se diz: neste filme o Bergman fala do que ele sempre fala, da vida. De caridade, devoção, honestidade, felicidade - referindo-se aos seus opostos. Quando se diz branco, entende-se também o que lhe é contrário: narrando a morte, narra-se também a vida.
A foto acima é da cena final: com as sombrinhas estão três irmãs; a do meio, Agnes (Harriet Andersson), muito doente. As outras vieram para acompanhá-la em seus últimos dias. A mais velha, Karin (Ingrid Thulin), que na foto está à direita, mostra-se sempre elegante e austera. A mais nova, Maria (Liv Ullmann), é a mais atraente e lembra muito a mãe, representada pela mesma atriz nos flashbacks. Um pouco atrás do grupo vem a ama, Anna (Kari Sylwan), uma moça dedicada que há anos cuida de Agnes como se fosse sua filha, cujo luto parece não ter nunca superado.
Quem se supera é o Bergman - na análise psicológica, muito sutil, das personagens, apresentadas por meio de flashbacks e sonhos e fantasias de cada uma. A fotografia esplêndida e sensível, expressionista, de Sven Nikvist lhe valeu o Oscar, o BAFTA (prêmio britânico) e Cannes.
A foto acima é da cena final: com as sombrinhas estão três irmãs; a do meio, Agnes (Harriet Andersson), muito doente. As outras vieram para acompanhá-la em seus últimos dias. A mais velha, Karin (Ingrid Thulin), que na foto está à direita, mostra-se sempre elegante e austera. A mais nova, Maria (Liv Ullmann), é a mais atraente e lembra muito a mãe, representada pela mesma atriz nos flashbacks. Um pouco atrás do grupo vem a ama, Anna (Kari Sylwan), uma moça dedicada que há anos cuida de Agnes como se fosse sua filha, cujo luto parece não ter nunca superado.
Quem se supera é o Bergman - na análise psicológica, muito sutil, das personagens, apresentadas por meio de flashbacks e sonhos e fantasias de cada uma. A fotografia esplêndida e sensível, expressionista, de Sven Nikvist lhe valeu o Oscar, o BAFTA (prêmio britânico) e Cannes.
Publicada por
Sergei
em
12:50
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viskgar och ropp
quarta-feira, 7 de julho de 2010
De onde vêm os poemas
Escrevem-se assim os poemas,
quando eles querem.
Buscamo-los, mas são eles que vêm,
inconvenientes às vezes,
à hora do almoço.
Sobem tapando os ouvidos
enchendo os olhos de água
mas doces saindo
de mim.
As palavras não alcançam
o que dizem os poemas
acompanham apenas
os traços predefinidos
errando o caminho
e tropeçando
nas sutilezas
de idéias perfeitas
fisicamente impossíveis,
como é impossível
satisfazer-se para sempre
a sede
ou o Infinito.
Quem sabe de onde virão os poemas,
talvez dos poetas.
Quem sabe de onde virão os poetas,
talvez de algum país distante
provavelmente da Europa
onde, se diz,
as pessoas têm muito a dizer
e um inverno longo
quando fecham-se todos em casa
e não há sol que por poucas horas.
Houve também aqui muitos poetas,
morreram todos.
Poetas são sempre pessoas mortas
poetas vivos não têm credibilidade nenhuma
nem os críticos se interessam por eles
e críticos,
essa gente,
se interessa por muita coisa.
Poemas, na verdade, não dizem nada
mas a verdade
uma verdade
é certo, fingida,
porque a verdade também não existe.
Mas há que se acreditar em algo.
quando eles querem.
Buscamo-los, mas são eles que vêm,
inconvenientes às vezes,
à hora do almoço.
Sobem tapando os ouvidos
enchendo os olhos de água
mas doces saindo
de mim.
As palavras não alcançam
o que dizem os poemas
acompanham apenas
os traços predefinidos
errando o caminho
e tropeçando
nas sutilezas
de idéias perfeitas
fisicamente impossíveis,
como é impossível
satisfazer-se para sempre
a sede
ou o Infinito.
Quem sabe de onde virão os poemas,
talvez dos poetas.
Quem sabe de onde virão os poetas,
talvez de algum país distante
provavelmente da Europa
onde, se diz,
as pessoas têm muito a dizer
e um inverno longo
quando fecham-se todos em casa
e não há sol que por poucas horas.
Houve também aqui muitos poetas,
morreram todos.
Poetas são sempre pessoas mortas
poetas vivos não têm credibilidade nenhuma
nem os críticos se interessam por eles
e críticos,
essa gente,
se interessa por muita coisa.
Poemas, na verdade, não dizem nada
mas a verdade
uma verdade
é certo, fingida,
porque a verdade também não existe.
Mas há que se acreditar em algo.
Escrever sonetos
Escrever sonetos, pegar palavra a laço,
dizer em alexandrinos, com ritmo marcado,
adaptar-se a uma forma, com cuidado
e ser a forma, paciência, passo a passo.
Poesia é só um jogo, jogo de afetados,
dizer o de sempre num registro menos baixo
escolher o termo, vendo se o encaixo,
na forma antiga com deuses do passado.
Martelar versos como carroceria,
Juntar palavras, o leitor e constrangê-los
jogar no assunto dois cubos de gelo
querer parar a vida, o mundo, a correria.
Não poupo nada; nem aos outros nem a mim.
em ser original
Não me preocupo em ser original.
Há tantos originais por aí!
Haverá mesmo muitos outros
que escrevem
para viver.
Não,
talvez como eu,
para viver,
haja poucos com tão pouca sorte.
Tão linda é a vida,
tão lindas as tardes,
e quantos desejos
mas eu não quero nada.
Haverá flores no campo
e para as flores, namorados,
para os namorados haverá noites
e só para eles os plenilúnios
e o prazer de viver e de ser piegas
impunemente.
Há tantos originais por aí!
Haverá mesmo muitos outros
que escrevem
para viver.
Não,
talvez como eu,
para viver,
haja poucos com tão pouca sorte.
Tão linda é a vida,
tão lindas as tardes,
e quantos desejos
mas eu não quero nada.
Haverá flores no campo
e para as flores, namorados,
para os namorados haverá noites
e só para eles os plenilúnios
e o prazer de viver e de ser piegas
impunemente.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
sem título 1
Em querer ser poeta, tornei-me triste.
Vaidade das vaidades, tudo é vaidade,
e escrever poemas é das piores;
vaidade por vaidade
felicidade não pode ser
sem vaidade.
Nos outros ou nos espelhos
procuramos o que em nós haveria de bom e de belo.
Só pó e reflexos,
mímica e tédio.
Acende um cigarro,
fuma um cigarro,
solta fumaça,
a vida é isto.
Se eu não fosse tão triste organizaria as contas,
as prateleiras,
em tudo poria prateleiras,
tomaria uma atitude em vez de fazer versos
e faria as malas para Pasárgada,
no Uzbequistão,
prestaria concurso,
seria útil como meu avô,
minha avó,
Napoleão Bonaparte,
todos esses mortos,
toda essa gente
que não é mais gente
que não é mais nada.
Quando penso neles
ai que preguiça!,
sento-me,
esperando passar.
Não passa nunca,
mas passa um moço tão lindo,
que esperando revê-lo
sigo vivendo.
Vaidade das vaidades, tudo é vaidade,
e escrever poemas é das piores;
vaidade por vaidade
felicidade não pode ser
sem vaidade.
Nos outros ou nos espelhos
procuramos o que em nós haveria de bom e de belo.
Só pó e reflexos,
mímica e tédio.
Acende um cigarro,
fuma um cigarro,
solta fumaça,
a vida é isto.
Se eu não fosse tão triste organizaria as contas,
as prateleiras,
em tudo poria prateleiras,
tomaria uma atitude em vez de fazer versos
e faria as malas para Pasárgada,
no Uzbequistão,
prestaria concurso,
seria útil como meu avô,
minha avó,
Napoleão Bonaparte,
todos esses mortos,
toda essa gente
que não é mais gente
que não é mais nada.
Quando penso neles
ai que preguiça!,
sento-me,
esperando passar.
Não passa nunca,
mas passa um moço tão lindo,
que esperando revê-lo
sigo vivendo.
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