Eu sou da opinião que não se conta histórias por contar, mas há algo que se quer dizer ao narrar alguma coisa de certo modo. Como se narra é tão importante quanto o que se diz: neste filme o Bergman fala do que ele sempre fala, da vida. De caridade, devoção, honestidade, felicidade - referindo-se aos seus opostos. Quando se diz branco, entende-se também o que lhe é contrário: narrando a morte, narra-se também a vida.
A foto acima é da cena final: com as sombrinhas estão três irmãs; a do meio, Agnes (Harriet Andersson), muito doente. As outras vieram para acompanhá-la em seus últimos dias. A mais velha, Karin (Ingrid Thulin), que na foto está à direita, mostra-se sempre elegante e austera. A mais nova, Maria (Liv Ullmann), é a mais atraente e lembra muito a mãe, representada pela mesma atriz nos flashbacks. Um pouco atrás do grupo vem a ama, Anna (Kari Sylwan), uma moça dedicada que há anos cuida de Agnes como se fosse sua filha, cujo luto parece não ter nunca superado.
Quem se supera é o Bergman - na análise psicológica, muito sutil, das personagens, apresentadas por meio de flashbacks e sonhos e fantasias de cada uma. A fotografia esplêndida e sensível, expressionista, de Sven Nikvist lhe valeu o Oscar, o BAFTA (prêmio britânico) e Cannes.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Gritos e sussurros
Publicada por
Sergei
em
12:50
Etiquetas:
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