Em querer ser poeta, tornei-me triste.
Vaidade das vaidades, tudo é vaidade,
e escrever poemas é das piores;
vaidade por vaidade
felicidade não pode ser
sem vaidade.
Nos outros ou nos espelhos
procuramos o que em nós haveria de bom e de belo.
Só pó e reflexos,
mímica e tédio.
Acende um cigarro,
fuma um cigarro,
solta fumaça,
a vida é isto.
Se eu não fosse tão triste organizaria as contas,
as prateleiras,
em tudo poria prateleiras,
tomaria uma atitude em vez de fazer versos
e faria as malas para Pasárgada,
no Uzbequistão,
prestaria concurso,
seria útil como meu avô,
minha avó,
Napoleão Bonaparte,
todos esses mortos,
toda essa gente
que não é mais gente
que não é mais nada.
Quando penso neles
ai que preguiça!,
sento-me,
esperando passar.
Não passa nunca,
mas passa um moço tão lindo,
que esperando revê-lo
sigo vivendo.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
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