Escrevem-se assim os poemas,
quando eles querem.
Buscamo-los, mas são eles que vêm,
inconvenientes às vezes,
à hora do almoço.
Sobem tapando os ouvidos
enchendo os olhos de água
mas doces saindo
de mim.
As palavras não alcançam
o que dizem os poemas
acompanham apenas
os traços predefinidos
errando o caminho
e tropeçando
nas sutilezas
de idéias perfeitas
fisicamente impossíveis,
como é impossível
satisfazer-se para sempre
a sede
ou o Infinito.
Quem sabe de onde virão os poemas,
talvez dos poetas.
Quem sabe de onde virão os poetas,
talvez de algum país distante
provavelmente da Europa
onde, se diz,
as pessoas têm muito a dizer
e um inverno longo
quando fecham-se todos em casa
e não há sol que por poucas horas.
Houve também aqui muitos poetas,
morreram todos.
Poetas são sempre pessoas mortas
poetas vivos não têm credibilidade nenhuma
nem os críticos se interessam por eles
e críticos,
essa gente,
se interessa por muita coisa.
Poemas, na verdade, não dizem nada
mas a verdade
uma verdade
é certo, fingida,
porque a verdade também não existe.
Mas há que se acreditar em algo.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
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