segunda-feira, 16 de maio de 2011

Atravessando a passarela sobre a Raposo Tavares

Eu vi toda a cidade
o sol ia manchando os prédios 
amarelos (e se o céu estava azul,
as nuvens tão gordas, espaçadas, porém,
choviam sem pressa nenhuma)
aquela luz incomum
não feria;
eu vi enquanto atravessava a passarela 
por sobre a Raposo Tavares
um arco íris que ia de Pinheiros até o Itaim,
mentira, ia de lugar nenhum a lugar nenhum
mas estava lá
impalpável
e eu pensei que aquilo era lindo;
uma senhora passou por mim
carregada de sacolas do supermercado
olhando o espetáculo público
divino e gratuito e sorriu e eu lhe sorri
porque o arco íris
porque o sol
porque a tarde
e eu me senti tão grato à minha vida que me dá tanto.

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