Eu vi toda a cidade
o sol ia manchando os prédios
amarelos (e se o céu estava azul,
as nuvens tão gordas, espaçadas, porém,
choviam sem pressa nenhuma)
aquela luz incomum
não feria;
eu vi enquanto atravessava a passarela
por sobre a Raposo Tavares
um arco íris que ia de Pinheiros até o Itaim,
mentira, ia de lugar nenhum a lugar nenhum
mas estava lá
impalpável
e eu pensei que aquilo era lindo;
uma senhora passou por mim
carregada de sacolas do supermercado
olhando o espetáculo público
divino e gratuito e sorriu e eu lhe sorri
porque o arco íris
porque o sol
porque a tarde
e eu me senti tão grato à minha vida que me dá tanto.
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